relação de meu trabalho com eleanor antin

Ao Eleanor se apropriar de momentos históricos, vejo em seu trabalho essa busca do passado para construção da imagem. Nada que fazemos hoje pode excluir tudo que foi feito no percurso da história da arte, mesmo vendo que muitas vezes ela se repete, porém não identicamente.


As ideias de seu trabalho entram no campo do figurativo e criativo. Em meus trabalhos, por outro lado, vejo poucas formas de criatividade, contudo, observo técnicas de criação. Quando digo isso, me refiro ao meu jeito característico de pintar, o qual se identifica minha personalidade ao pintar, a singularidade de ser o causador da obra. Sinto que a linha que tenho seguido nos últimos anos talvez não possua nenhuma originalidade, mas também noto que, em minhas obras, existe a singularidade do meu olhar e forma de vida que possam transmitir sentimentos e um pouco da minha personalidade por se omitir a razão de os ter criado.


Levo minha produção a sério e creio que, às vezes, não se trata de quantidade, mas sim a satisfação do artista ao pintar. Quando dizem que o ateliê está inserido na mente, penso que talvez o ato de viver criativamente seja um happening maior do que qualquer momento pausado. E talvez isso demonstre a minha necessidade de realizar minhas obras.


Vejo em Eleanor espontaneidade ao tirar suas fotos, ao querer que os próprios atuantes de suas fotografias transmitam emoções. No caso de meu trabalho, me emociono ao pintar e desejo que isso se transmita em minhas obras. Talvez um valor sentimental não transcreva minhas obras ao espectador desconhecido, mas que este, que não conhece, observe e pense que tamanha irracionalidade existe na arte e no ato de pintar para um artista que não queira dizer nada.


Que mensagem ou forma criativa é dispersa em obras de alguém que simplesmente deseja pintar? Contudo, Eleanor traz a emoção em cena, algo que busco e ao mesmo tempo contribuo para que seja visto, tanto em minhas obras quanto, em minha vida.
 

© 2020 ARIEL BUSQUILA.